A TERAPIA REGRESSIVA, OS CHAKRAS E OS CORPOS DO HOMEM - UMA ANALOGIA COM A PSICOLOGIA ORIENTAL

 por Edison Flávio Martins

 

Desde tempos muito antigos, há mais de 5.000 anos, os grandes mestres religiosos das antigas religiões da Índia, Tibet, China etc., falam da estrutura dos diversos veículos ou corpos do homem. Muitas das noções que estamos discutindo aqui já foram estudadas e descritas nos livros secretos daquelas religiões. Com a aproximação entre Ocidente e Oriente, estes conhecimentos, outrora secretos, foram sendo assimilados e difundidos. Hoje encontramos livros que descrevem muitos daqueles antigos mistérios.

 

Nas diversas religiões antigas, os conceitos dos diversos corpos do homem foram descritos de várias maneiras. A versão que prefiro é a descrita por C. W. Leadbeater e Annie Besant que sintetizam o modo como a Teosofia traduziu aqueles conceitos para uma linguagem mais inteligível para nós ocidentais.

 

Estes diversos corpos do homem têm seus nomes originais em sânscrito, a língua antigamente usada na Índia, que parece ser o berço do antigo conhecimento. Eles são em número de sete e cada um está relacionado a um chakra.

 

1. O corpo físico – que é formado pelo corpo denso visível ("Sthula Sharîra"), e uma parte mais sutil, também feita de um tipo de matéria, mas invisível que é o duplo etérico ("Linga Sharîra"). O corpo físico atua no plano físico. O corpo físico denso é a porção mais material e visível e o duplo etérico funciona como uma interface entre o corpo físico e os demais corpos. Na visão da aura, ele é percebido como uma luz branca brilhante que contorna o corpo físico, com mais ou menos um a dois milímetros.

 

2. O corpo astral ou corpo emocional (Corpo "Kamico") – que atua no plano astral ("Kamaloka"), é também conhecido como "corpo dos desejos". É chamado de corpo "astral" devido ao seu aspecto semelhante a astros com suas estrelas, nebulosas etc. É a parte da aura mais visível e suas cores e formas são extremamente mutáveis, na dependência do estado emocional em que nos encontremos.

 

3. O corpo mental inferior ("Manas") – formado de matéria mental utilizado para nos expressarmos intelectualmente no nível das idéias. Este corpo se desenvolve à medida que cresce nossa capacidade intelectual de raciocínio, voltado para as coisas práticas.

 

O corpo mental inferior está localizado nos quatro primeiros subplanos do Plano Mental ("Rupa ou com forma").

 

4. O corpo mental superior ou corpo causal – tem este nome pelo fato de nele residirem todas as causas cujos efeitos se manifestam nos planos inferiores. Neste corpo causal que é guardado todo conhecimento puro, isto é, livre de qualquer energia densa. Nas diversas encarnações do homem, tudo que ele realizar utilizando seus baixos instintos, pensamentos pouco nobres, sem levar em consideração seu semelhante e a ética, nunca poderá atingir este corpo. Nossos pensamentos têm cores e formas. Estas cores têm os diversos comprimentos de onda e quanto mais inferiores, são mais escuras e "sujas".

 

Os diversos planos da realidade estão divididos em camadas cada vez mais sutis. Deste modo, torna-se impossível uma matéria mais densa chegar a um nível superior devido ao fenômeno de ressonância vibratória que se observa em qualquer nível do espectro eletromagnético.

 

Quanto mais evoluído espiritualmente for o homem, maior e mais forte é seu corpo causal. Ele vai se revestindo de matéria causal formada pelas energias puras do amor universal e incondicional que vamos desenvolvendo nas nossas vidas. O mínimo pensamento bom ou toda ação boa e desinteressada gera matéria causal que vai ser adicionada a este corpo e uma vez incorporada, não poderá mais ser perdida. Este fato explica o porquê da evolução ter um sentido sempre ascendente.

 

 Com o passar do tempo, o corpo causal vai se tornando cada vez mais rico em energias sutis aumentando desse modo sua influência nos corpos inferiores. O mal vai tendo cada vez mais dificuldade em se instalar no homem que desenvolveu seu corpo causal.

 

Este corpo é formado de matéria mental superior, derivado de nossos bons pensamentos e do raciocínio voltado para as grandes aspirações desinteressadas e feitas com a finalidade de servir a humanidade.

 

O corpo causal habita a região superior do plano mental correspondente aos três últimos subplanos de baixo para cima: o 5º, o 6º e o 7º ("Arupa ou sem forma").

 

5. O corpo Búdico ou corpo espiritual – esta é a região onde toda a dualidade existente nos planos inferiores desaparece e o espírito pode sentir-se como unido a tudo. Ali não existe mais a noção do eu separado. Podemos ter poucas informações acerca desse corpo e do plano onde ele está, devido à dificuldade de nos expressarmos sobre estes conhecimentos em linguagem comum.

 

6. O corpo Nirvânico.

 

7. O corpo Mahaparanirvânico ou Ádico.2

 

8. O corpo Monádico (a Mônada) – este corpo parece ser a nossa origem, logo após o primeiro momento de diferenciação da alma em direção à individualização. Segundo os antigos ensinamentos, esta emanação se forma através das energias da trindade divina (Primeira, Segunda e Terceira emanações) e mergulha sem consciência no nível mais baixo do plano físico. Depois passa por toda a evolução mineral, vegetal e animal até chegar à cadeia evolutiva humana quando então inicia a consciência da própria existência e também a identificação do Ego com uma forma. Daí em diante, em certo momento, o homem pode começar a influir de modo consciente em sua própria evolução, no caminho de volta para planos superiores até que um dia "retorne ao lar paterno".

 

Os Corpos Búdico, Nirvânico, Ádico e Monádico estão em dimensões tão sutis que não existem palavras para descrevê-los. São completamente inacessíveis ao nosso conhecimento e os poucos místicos que puderam ter contato com aqueles planos são unânimes em dizer sobre a impossibilidade de passar a outros sua experiência.

 

Para o antigo conhecimento, o homem vive e atua concomitantemente em todos os sete planos onde habitam estes corpos. O corpo de um plano superior tem acesso aos planos abaixo dele, mas o corpo de um plano inferior não transita com facilidade nos planos superiores, a não ser através de técnicas especiais de meditação e depois de purificados seus veículos inferiores.

 

Estes planos todos não têm uma localização diferente no espaço/tempo. Todos eles existem e se interpenetram, estando separados apenas pelas limitações de nossa consciência.

 

Cada um dos sete planos descritos acima é subdividido em 7 subplanos de modo similar às sete cores que formam o espectro da luz branca. Por isso, a expressão "baixo astral", na verdade, se refere aos planos inferiores do plano astral que por estar muito próximo ao plano físico, é habitado por seres de baixo padrão vibratório. Outro exemplo é a expressão popular: "sinto-me no sétimo céu.

 

O Plano Mental é subdividido em Mental Inferior ("Rupa ou com forma" - do primeiro ao quarto) e Mental Superior ("Arupa ou sem forma" - do quinto ao sétimo). O Plano Mental é também chamado de "Plano Céu".

 

A aura que é vista pelos clarividentes nada mais é que as emanações energéticas desses vários corpos. Assim, através das cores da aura, o homem que treinou sua visão espiritual pode obter muita informação acerca do caráter do homem. A aura do homem pouco evoluído ainda muito preso às coisas materiais e cultivando o ódio, a ambição e o egoísmo, será vista como escura, com cores borradas e com predominância dos comprimentos de onda mais baixos, como o vermelho, o laranja e o amarelo em suas tonalidades mais escuras. Já a aura do homem que cultiva os mais nobres sentimentos, desligado dos interesses puramente materiais, se mostrará com cores de comprimentos de onda mais altos como o verde, o azul, o índigo e o branco, todos em suas tonalidades claras e brilhantes.

 

Segundo os ensinamentos dos Mestres das antigas religiões, as ações do homem, pensamentos, sentimentos ou imagens que ele forma, produzem vibrações energéticas de diversos graus de sutileza e que poderíamos comparar com os conceitos modernos do espectro eletromagnético. Assim, os atos relacionados aos baixos instintos e voltados para o egoísmo, interesses escusos como vingança, ciúme etc., produzem energias de baixo comprimento de onda que só podem vibrar por ressonância nos corpos mais grosseiros como o corpo físico e o astral, também chamado de "Corpo dos Desejos".

 

 Os nossos pensamentos de cunho mais grosseiro só podem chegar até o corpo mental inferior. Os atos inspirados pelo amor incondicional, principalmente em relação à humanidade em geral, produzem energias muito mais sutis e de alto comprimento de onda, podendo vibrar por ressonância com os corpos mais elevados como o mental superior ou corpo causal. Isto tem muita importância no processo evolutivo espiritual, porque após a morte do corpo físico, o duplo etérico, o corpo astral e o corpo mental inferior vão também se deteriorando e morrendo. O corpo causal, porém, não é dissolvido e retém as informações de todas as nossas encarnações que serão reativadas nas próximas vidas.

 

As energias de alto comprimento de onda vão se incorporando de modo definitivo no corpo causal, enquanto que os baixos padrões vibratórios permanecem apenas em uma forma germinativa para serem reativados nas próximas vidas, descendo então para os corpos inferiores. À medida que as encarnações se sucedem, o corpo causal vai ficando cada vez mais rico dessas energias sutis, porque elas são incorporadas de modo definitivo.

 

Estes são os motivos porque mesmo o homem mais grosseiro e que tenha tido uma vida de crimes e de maus atos, pode evoluir, pois um só pensamento de amor desinteressado que ele tenha, em relação a qualquer pessoa, produzirá uma energia sutil que será incorporada ao corpo causal e se somará às outras.

 

OS CORPOS E A TERAPIA REGRESSIVA

Tendo conhecimento deste esquema dos corpos do homem, podemos explicar a evolução humana correlacionando as energias de acordo com seus comprimentos de onda com a maior ou menor evolução. Ken Wilber, em seus livros "O espectro da Consciência" e "A Consciência sem Fronteiras", faz uma correlação um pouco diferente entre o espectro eletromagnético e o desenvolvimento do homem, mas de um ponto de vista psicológico, correlacionando também as diversas abordagens psicoterápicas. A diferença é que estou propondo uma correlação entre a psicologia oriental e a abordagem da Terapia Regressiva, também usando a analogia das ondas eletromagnéticas, mas associada ao conceito dos sete corpos.

 

Ao analisarmos os achados das sessões de Terapia Regressiva pelo enfoque dos sete corpos do homem, podemos observar que as diversas Personalidades Subconscientes de nossas vidas passadas e as Personalidades Intrusas (os obsessores) que convencionou-se dizer que se encontram em nosso subconsciente ou no inconsciente, na verdade distribuem-se nos nossos diversos corpos. Aquelas personalidades de vidas passadas que tiveram muitos envolvimentos com as energias de baixo comprimento de onda, devido às suas ações e pensamentos egoístas, vingativos etc., encontram-se mais próximas do plano físico, localizadas no corpo astral e mental inferior. Dessa maneira, essas Personalidades Subconscientes podem influenciar nossos pensamentos e ações de modo negativo e devido à sua vibração mais baixa, dificultam à personalidade encarnada receber as emanações das energias mais sutis originadas de nossas vidas de boas realizações e que se encontram no padrão vibratório do nosso corpo causal.

 

Para a Terapia Regressiva, é suficiente raciocinarmos apenas com os quatro corpos inferiores porque os três superiores não participam da Roda do Sansara3.

 

Esta maneira de ver os corpos relacionados aos chakras para mim é útil na Hipnoterapia Regressiva. Saber a função de cada chakra, pode nos ajudar a encontrar no corpo físico as regiões onde, mais provavelmente, os sentimentos estão localizados.




2 Para um melhor entendimento dos conceitos dos corpos, o leitor poderá consultar os livros de Annie Besant, C. W. Leadbeater e Arthur E. Powell indicados na bibliografia no final do livro.

 

3 Sansara é um termo Sânscrito utilizado pelo Budismo Tibetano que significa a Roda das Encarnações Sucessivas, o mundo das ilusões e dos opostos. O objetivo do budismo é fazer com que o praticante torne-se livre do Sansara e possa atingir o Nirvana. Na verdade, este é um objetivo considerado menor porque o mais elevado é tornar-se um Bodhisattva, que é considerada a maior realização possível. Um Bodhisattva é alguém que atingiu o estado de Buda e, no momento em que vai entrar no Nirvana, renuncia a ele decidindo continuar reencarnando para ajudar a humanidade a atingir o mesmo estágio e só passar para o Nirvana quando todos puderem fazê-lo. Ele entende que esta é a última dualidade a ser integrada na consciência da UNIDADE ABSOLUTA.

 


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