A TERAPIA REGRESSIVA E O CARMA

por Edison Flávio Martins01

 

Algumas pessoas costumam ficar confundidas em se tratando do tema “Terapia Regressiva” pelo fato de trabalharmos com a hipótese de Reencarnação e do Carma. A polêmica se estabelece porque muitos pensam que seja necessário acreditar nestes conceitos para se submeter a uma sessão de regressão à vidas passadas. Quase sempre quando em qualquer reunião social alguém descobre minha atividade, frequentemente vêm com a pergunta: Mas existem vidas passadas? Existe o Carma? Eu sempre respondo à primeira pergunta dizendo que para mim a reencarnação existe não como uma questão de fé mas com a convicção de que é um fato da natureza. No entanto, não é fundamental que meus clientes comunguem comigo neste assunto porque é necessário manter em mente que a Terapia Regressiva é apenas uma entre muitas abordagens para tratamento dos problemas existenciais e psicológicos que afligem a humanidade. Acredito também que “quando o fato contraria a teoria, ficamos com o fato e depois mudamos a teoria”. Quanto à segunda pergunta, respondo que sem dúvida o Carma existe só que talvez ele seja mais conhecido por outros nomes como: destino, predestinação, a cruz que cada um tem que carregar, castigo, etc.

 

O Carma pode ser observado quando percebemos a tendência dos acontecimentos se repetirem em nossa vida. Isto acontece porque nós mesmos provocamos as situações repetitivas, com o sofrimento que geralmente vem junto, até que o problema subjacente venha à consciência e possa ser resolvido. Quando alguém nos procura para tratamento, sempre podemos observar como as queixas mais importantes que são relatadas na entrevista inicial, estão se repetindo desde a infância e, percebendo isto o cliente já esta dando o primeiro passo para resolvê-las.

 

Alguns religiosos que seguem a linha Kardecista, às vezes questionam que esta terapia ao abordar o Carma, pode estar atrapalhando o desenvolvimento espiritual da pessoa. Chegam a dizer que o Carma não é para ser resolvido mas sim, para ser cumprido. Para mim isto é uma distorção do entendimento do que é o Carma e que não se confirma nas sessões de regressão. Quando eles dizem que temos que cumprir o Carma, tem-se a impressão que ele é imposto por alguém ou algo que nos julga e que nos sentencia, sem apelação.

 

O terapeuta regressivo precisa conhecer as várias técnicas utilizadas pelas chamadas terapias tradicionais, para tratar os traumas e problemas encontrados nas supostas vidas passadas. O tratamento de um trauma qualquer não é muito diferente, seja ele originado nesta ou em outra vida. Não basta apenas regredir a uma vida passada para resolver um problema. É necessário muito conhecimento teórico e prático para se trabalhar o material proveniente das sessões.

 

Depois de ter acompanhado milhares de mortes de meus clientes em suas vidas passadas, cheguei a conclusão que o Carma está estreitamente ligado ao livre arbítrio. Ao final de uma vida, durante o processo de transição para a morte física, é feita uma revisão de tudo o que a pessoa experimentou, tirando conclusões sobre seus acertos e erros, o que poderia ter feito de diferente se voltasse a viver aquela vida e também o autojulgamento de seus erros. Aí é que entra o livre arbítrio pois depois dessa revisão, a pessoa tira uma conclusão sobre si mesma e sobre a vida que acabou: Eu fui um trouxa; foi uma vida perdida; eu fui muito mau e fiz os outros sofrerem, etc. Depois de concluir sobre os seus erros, acertos e sobre a vida, cada um pode decidir o que fazer com isto de várias maneiras como por exemplo:

 

1.      Eu fui um monstro mas aprendi que viver assim não trouxe felicidade para mim ou para os outros: Não quero mais ser assim de novo.

2.      Eu fui um monstro e preciso fazer alguma coisa para eliminar a culpa que sinto por isto: Ajudarei as pessoas que sofrem.

3.      Eu fui um monstro e preciso pagar por isto: Vou sofrer em minha própria pele para aprender o que é estar exposto a alguém como eu fui.

4.      Eu fui um monstro mas eu tinha razão: Se eu puder voltar a viver vou continuar assim porque prefiro bater a apanhar.

 

Percebe-se que a cada conclusão e decisão, forma-se um Carma diferente. A pessoa que conclui como no item 1., aprendeu sua lição e não tem que pagar nada porque ele não se impôs qualquer castigo. O simples fato de decidir que não vai mais repetir o mesmo erro, deixa-o livre para seguir outros caminhos. A pessoa que conclui como no item 2., assume o papel do “Salvador”. A pessoa que conclui como no item 3., assume o papel de “Vítima” e por fim quem conclui como no item 4., assume o papel de “Algoz ou Perseguidor”. Estes três papeis na verdade são um só, que por isto chamamos de “Triangulo da Salvação” porque quem entra em um deles, em certos momentos também assume os outros dois. Existe um quarto papel que denominamos de “O Observador Benigno” mas que só se manifesta quando depois de vivenciar muitas vezes os três papéis a pessoa percebe que sempre termina infeliz e não assume mais qualquer deles. Nos exemplos que demos acima, o que concluiu  como no item 1. é o que está mais próximo do Observador Benigno.

 

A conclusão a que cheguei é que o Carma é auto imposto e que após a nossa morte, não existem juntas cármicas que colocam nossos atos em uma balança e depois nos obriga a cumprir o que eles acharem que merecemos. Porém, se alguma pessoa tem esta crença, ele poderá encontrar-se com seres que vão julgá-lo mas isto é apenas fruto de projeções de sua própria mente.

 

A resolução do Carma individual é a Missão que cada pessoa tem na vida. Sempre que alguém me procura para descobrir qual seria sua “Missão”, respondo que ao contrário do que muitos imaginam, de que é alguma coisa transcendental, divina, caridade, ajudar os outros etc, a resposta a esta pergunta é: resolver seus problemas. Quando um é resolvido, você pode evoluir para outro mais complexo. Igual em uma Universidade. 


01 Dr. Edison Flávio Martins é médico Urologista e Uropediatra, com Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e Associação Médica Brasileira (AMB), ex-professor de Urologia nas Faculdades de Medicina de Santos e Bragança Paulista, Hipnólogo Clínico Pelo Instituto Milton H. Erickson (Hipnose Ericksoniana), Practitioner em Programação Neuro Linguística e Membro Certificado da Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas em Terapia de Vivências Passadas (ABEP-TVP). Terminou sua especialização em Psicoterapia Regressiva através de um curso de 2 anos no Centro de Difusão Científica e Tecnológica "Hermínia Prado Godoy" (CDCT-HPG) em 1998. Reside e trabalha em São José dos Campos - SP. Autor dos livros: "ABRINDO AS JANELAS DO TEMPO - Através da Terapia da Regressão", Campinas - S. P.: Editora Livro Pleno, 2001 e ‘’VIVER MUITAS VEZES A Hipnose como Ferramenta da Terapia de Vidas Passadas’’. Taubaté – S.P.: Cabral Livraria e Editora Universitária, 2003.

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