INTERVALO ENTRE PREVISÃO E CONSTATAÇÃO – Uma Crônica de um Terapeuta de Regressão

Por Edison Flávio Martins[i]

 

Segundo Morris Neterton, famoso psicólogo americano considerado um dos pilares da moderna Hipnoterapia Regressiva, no momento em que passamos por um trauma que pode nos levar à morte, muita coisa acontece no que ele chamou de Intervalo entre a Previsão e Constatação. O fato traumático pode ser um acidente potencialmente mortal, um assalto à mão armada, uma tentativa de estupro, uma morte por uma doença crônica etc. No último caso, por exemplo, quando, recebemos a notícia de que somos portadores de um câncer de mau prognóstico, a morte pode demorar meses ou anos e nesse caso, temos tempo para resolver todos os assuntos pendentes. Elisabeth Kubler Ross, médica americana criadora de uma nova especialidade, a Tanatologia, que significa literalmente estudo da morte, em seus livros descreve algo semelhante que descobriu com sua vasta experiência de tratar e acompanhar doentes terminais (veja seu livro: Morte – Um Amanhecer).


No caso de estarmos em uma sessão de regressão, qualquer trauma que esteja sendo revivido, seja da vida atual ou de vidas passadas, devemos levar o paciente a atravessar passo a passo este intervalo, pois nele estão condensadas grande parte das informações que precisamos para ajudá-lo a compreender e resolver o contrato de terapia que ele trouxe ao set terapêutico para ser trabalhado. Se for um trauma da vida atual, obviamente não terminou em morte, mas pode ter deixado seqüelas. Se for em vida passada, a morte acontece e depois da constatação, é importante fazê-lo perceber que tudo acabou e passamos para o intervalo entre vidas que é outro passo importante da sessão.

 

Todos os terapeutas regressivos que aprenderam com bons mestres sabem da importância deste último passo, pois é aí que ele vai tomar decisões que vão constituir sua programação para a próxima vida.


        Em meu caso, passei por uma situação de trauma em que previ minha morte. Estava no sexto ano da Faculdade de Medicina de Taubaté, no ano de 1972. Na época eu estava frequentando um ciclo de aulas de um curso semanal na Faculdade Paulista de Medicina na cidade de São Paulo. Saí de Taubaté e peguei a Via Dutra as 17:00 h com uma preceptora do internato de Pediatria ao meu lado no banco do passageiro e um colega de faculdade (Raul Picinato) no banco de trás. Quando estava próximo à fábrica da GM em São José dos Campos a 140 Km/hora, avistei um caminhão que se preparava para cruzar a pista a minha frente e prossegui na mesma velocidade achando que ele esperaria eu passar. Quando estava a mais ou menos 50 metros do cruzamento vi que ele não parou. Já estava com parte da cabine na pista à minha frente começando a barrar minha passagem. Raciocinando rapidamente, previ que poderia morrer, mas tentei a única manobra possível: Acelerei mais e desviei para a direita, para passar pela frente dele. Utilizando até o acostamento, achei que ia conseguir, mas ele bateu seu pára-choque na lateral esquerda de meu carro e senti a batida no meu corpo. Neste momento entrei na fase da Previsão de minha morte. O tempo passou a ser percebido em câmera lenta enquanto o carro iniciava uma série de capotagens. O "filme" de toda minha vida desde a infância até aquele momento passou em alta velocidade em minha mente e pensamentos, sentimentos, emoções arrependimentos de coisas que fiz ou que não fiz e dizendo para mim mesmo que se escapasse da morte faria tais e tais coisas. De repente o carro parou de capotar e Constatei não a morte, mas a vida. O tempo voltou a correr novamente da maneira habitual e foi a sensação mais maravilhosa que já tive, ao ver que eu tinha outra oportunidade. Meus passageiros nada sofreram e eu tive fraturas simples de três costelas e um pequeno ferimento no cotovelo esquerdo.


Foi como morrer e renascer no mesmo corpo.

 

Mas e se eu tivesse morrido?

 

Uma nova vida é uma oportunidade de deixar nas vidas passadas nossos erros e caso sejam erros muito graves, também aproveitarmos a nova oportunidade de trazer para cá apenas os aprendizados. Aprendemos também quando praticamos o mal que é um passo necessário para nossa evolução ter conhecido nosso lado "mau" para poder integrá-lo em nosso eu, dando-lhe um novo significado que seja útil para nós.  Não vejo qualquer utilidade em se condenar a sofrer por erros que cometemos em vidas passadas. Pelo contrário, isto pode transformar um antigo algoz em uma vítima no agora, sem que nenhuma evolução venha a acontecer.

 

O mais comum que observo nas pessoas que fazem muitas regressões é que elas acabam percebendo que estão andando em círculos de algoz para vítima e de vítima para algoz, as vezes por mais de 2.000 anos. É nisso que me apoio para dizer que a lei de causa e efeito não tem validade quando se fala de evolução espiritual. Um paciente que se conscientiza do fato de estar preso em um circulo vicioso de algoz e vítima, obtém uma informação que fará que ele abandone os papeis e passe à um nível superior de conscientização sobre os grandes mistérios. É quando ele finalmente pode olhar seus erros e se perdoar,  trazendo também à consciência as lembranças de seus acertos para usar na vida atual.


Isto que estou escrevendo me fez lembrar da conversa que Jesus teve com os dois ladrões na sua crucificação. O chamado "bom ladrão" arrependeu-se de seus erros e Jesus lhe disse que ele estaria com ele e o Pai no paraíso. O "mau ladrão" não se arrependeu então não "entraria no Céu". Faça a ligação do que eu disse com esta história e você vai ver que este bom ladrão saiu fora dos castigos que teria que passar porque APRENDEU QUE ESTAVA ERRADO.  NÃO SE ENTREGOU AO REMORSO POR SUAS AÇÕES SENTINDO-SE CULPADO E MERECEDOR DE SER CASTIGADO.

 

FICOU APENAS COM O APRENDIZADO E, PONTO FINAL!


[i] Dr. Edison Flávio Martins é médico Urologista e Uropediatra, com Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e Associação Médica Brasileira (AMB), ex-professor de Urologia nas Faculdades de Medicina de Santos e Bragança Paulista, Hipnólogo Clínico Pelo Instituto Milton H. Erickson (Hipnose Ericksoniana), Practitioner em Programação Neuro Linguística e Membro Certificado da Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas em Terapia de Vivências Passadas (ABEP-TVP). Terminou sua especialização em Psicoterapia Regressiva através de um curso de 2 anos no Centro de Difusão Científica e Tecnológica "Hermínia Prado Godoy" (CDCT-HPG) em 1998. Reside e trabalha em São José dos Campos - SP. Autor dos livros: "ABRINDO AS JANELAS DO TEMPO - Através da Terapia da Regressão", Campinas - S. P.: Editora Livro Pleno, 2001 e ‘’VIVER MUITAS VEZES A Hipnose como Ferramenta da Terapia de Vidas Passadas’’. Taubaté – S.P.: Cabral Livraria e Editora Universitária, 2003.

 

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