ASPECTOS DO TRABALHO CORPORAL COM VIDA PASSADA:

COMPREENDENDO O CAMPO ENERGÉTICO SUTIL

PARTE I: TEORIA

POR ROGER WOOLGER

tradução: Herminia Prado Godoy

Pensadores, escutem, digam-me o que vocês sabem do que não está dentro da alma?

Peguem um jarro cheio de água e coloque-o na água - agora tem água dentro e fora.

Nós não devemos dar um nome,a não ser que pessoas tolas comecem a falar de novo sobre o corpo e sobre a alma.

Kabir (Bly, 1973)

Introdução

Um impressionante aspecto de grande parte da Terapia de Vidas Passadas, quando visto pela primeira vez por um observador, é o óbvio envolvimento do corpo do cliente na história que está sendo revivida. Em muitas sessões o cliente não senta ou deita passivamente relatando uma visão interna de vida passada com seus olhos fechados. Ao invés disso, ele é o sujeito de muitas convulsões dramáticas, contorções, vômitos e coisas não imagináveis. Um cliente pode apertar seu tórax numa aparente dor enquanto relata uma ferida causada por uma espada; outro pode torna-se quase azul enquanto relembra uma estrangulação. Outro pode ficar com os braços rígidos ao redor da cabeça enquanto relembra estar amarrado a um poste durante uma tortura.

Para um inexperiente observador isto pode parecer angustiante, quando não perigoso. Até um terapeuta treinado (mais comum os Freudianos, cognitivos, ou puramente em técnica verbal) pode vir a mim depois de uma demonstração, particularmente violenta, da técnica de vida passada e me advertir sobre o perigo de provocar uma ruptura psicótica.

Ainda para muitos terapeutas praticantes da terapia de vida passada, liberações emocionais violentas não são simplesmente corriqueiras em nosso trabalho, mas em alguns casos é parte essencial. Mais e mais terapeutas estão achando que todo tipo de problemas comportamentais e complexos, tem enterrados traumas de vidas passadas que são fisicamente e emocionalmente visíveis. Como resultado, naturalmente, nós estamos usando métodos catárticos para liberar o velho trauma. Visto de uma perspectiva histórica essa forma de ênfase na liberação dos eventos traumáticos e seus tratamentos, pelos métodos de ab-reação ou catarse, marca um retorno para muitas abordagens - Freud os abandonou há 80 anos atrás a favor da sua posterior Psicologia do ego e mecanismos de defesa.

Como Stanislav Groff observou, em seu ponto de vista da história da psicoterapia, no livro "Além do Cérebro" ( 1985), muitas das recentes terapias, por exemplo: Gestalt, Primal, Renascimento, LSD terapia, - estão correntemente enfatizando o componente experiencial na reação da cognição pura e a ênfase interpretativa das muitas psicoterapias neo-Freudianas. Em outras palavras, do ponto de vista de Groff - que estou totalmente de acordo - muitos dos pós-Freudianos, bem como os Junguianos, tem sido um ineficiente rodeio intelectual na evolução de métodos práticos de psicoterapia.

Nem todos os terapeutas  praticantes de vidas passadas compartilham da ênfase de Groff sobre a liberação experimental e liberação catártica. Enquanto isto, é ainda prematuro para falar de "escolas" de terapia de vida passada. Parecem existir muitos terapeutas praticando regressão à vidas passadas que sistematicamente evitam expressões excessivas de emoções e que almejam o desligamento mais do que catarse. Na transcrição de sessões publicada por Dick Sutphen, por exemplo, freqüentemente se encontram fortes comandos de palavras como: "Você ficará calma! Você irá experienciar tudo sem dor ou emoção"(Weisman, 1977). Como regra Sutphen usa essas sugestões quando o sujeito está passando por alguma forma de violência na história da vida passada. Genericamente falando, Sutphen e terapeutas como ele, acreditam que a consciência cognitiva da questão ou eventos da vida passada é suficiente para a cura ocorrer. Claramente esta abordagem é bem diferente de Groff e terapeutas como eu, que defendem a catarse experimental.

Levando a questão dessas estratégias terapêuticas, fundamentalmente diferentes- deixe-nos chamá-las de Catártica x cognitiva - não por razões polêmicas mas porque elas radicalmente afetam como nós procedemos com respeito a terapia em geral e terapia de vida passada em particular. Uma conseqüência óbvia desse ponto diferente é que quando nós desejamos compreensão cognitiva, tendemos a negligenciar o corpo. Pelo contraste, quando como terapeutas nós enfatizamos a catarse, inevitavelmente ficamos focados no corpo por uma simples razão: que é no corpo que violência física e emocional são mais vividamente experenciadas.

Do ponto de vista da terapia catártica ou experimental o corpo, por ele mesmo, torna-se o que, por falta de um termo melhor, eu chamarei de uma experiência subjetiva, ou mais completamente. Uma multiplicidade de experiências subjetivas. Minha cabeça pode pensar isto, meu coração pode sentir aquilo, meu intestino pode sentir alguma coisa mais e assim por diante. Toda parte do meu corpo tem alguma coisa para expressar e dizer. Isto é o que Fritz Perls, inspirado por Wilhelm Reich e pelo psicodrama de J.L. Moreno, disse tão claramente: que existem todos os tipos de monólogos inacabados, diálogos e conversas acontecendo nas diferentes partes do nosso corpo e seguimentos, sempre opostos, do mesmo. Os complexos, tão batidos da terminologia Junguiana, falam e atravessam nosso corpo, se estivermos preparados para escutá-los: nós somos a incorporação da totalidade de nossos complexos.

Alguns podem fazer objeções e dizer que: "o corpo pode falar" é simplesmente estender a metáfora além do justificável. Eles podem dizer que somente a boca pode falar e somente a mente pode produzir pensamentos. Além disso, nós aprendemos tradicionalmente que a mente pertence ou é idêntica ao cérebro, então é um absurdo dizer que nossos pés, por exemplo, podem "dizer" ou estar conscientes de alguma coisa. Mas, isto é ignorar o papel humano da experiência dos gestos, formação postural e a sensitividade do nosso sistema nervoso autônomo. Além disso, é para perpetuar a ruptura cartesiana, de cabeça e corpo, mente e corpo , mente e matéria, que é uma metáfora raiz de um dos mais profundos problemas da civilização ocidental (Woolger, 1983).

Nós estamos particularmente em débito com Wilhelm Reich por brigar com este penetrante problema. Até o longo tempo que Freud deixou das implicações físicas, de sua teoria da repressão sexual e a obstrução da libido, Reich explorou a discussão da estrutura rígida do caráter e como eles eram expressos pelo corpo. Reich inventou o termo couraça de caráter para descrever esses padrões rígidos na musculatura (contraídos inconscientemente), que nós encontramos na cabeça, queixo, costas, ombros, tórax, pélvis, pernas, braços e pés (Reich, 1949, Dychtwald, 1977). O que ele nos mostrou, foi que essas estruturas rígidas não são resultantes do físico ou stress somático mas diretamente expressões do trauma físico, emoções profundamente reprimidas e basicamente negação inconsciente de vida. Tanto quanto conflituoso isto possa ser, a libido que deve fluir do organismo e dentro da vida, permanece presa abaixo da musculatura. Isto por sua vez deprime a função autônoma, afeta adversariamente o funcionamento do organismo e, muitas vezes, distorce o papel da postura do esqueleto (Reich, Alexander).

Para dar alguns exemplos: se uma criança vive com medo que será golpeada por pais brutais, ela aprende a adular e levantar seus ombros para proteger sua cabeça. Se não tem nenhuma libertação desse medo, a couraça de defesa dos ombros não relaxa nunca, e tampouco, correspondentemente, seu estômago torna-se comprimido e "nervoso" e sua respiração é apreensiva e não profunda. Depois que a criança se adapta a estar em permanente "alerta", dessa maneira o medo permanece preso em seu organismo na forma de elevação dos ombros cronicamente, tensão nas costas, tórax e estômago comprimidos. Através dos anos a influencia desse padrão pode favorecer a degeneração dentro de certas posturas características (Kurtz 1976).

Ou suponha que uma garota jovem tenha sido regularmente molestada sexualmente por seu pai. Neste caso será a sua genitália que será mantida comprimida, sua pélvis apertada numa congelada postura, e suas coxas e pernas manterão rígidas por uma fria postura de medo e raiva. Em adição, poderá haver uma impressão de revolução em seu estômago e uma respiração não profunda. Anos mais tarde poderá experimentar na área genital: infecções, profunda inibição sexual e dificuldades ginecológicas, tudo devido ao assentamento profundo da couraça psíquica que agora se tornou crônica.

Estes exemplos são típicos do caminho que Reich (1949) e seus contemporâneos seguidores (notadamente Lowen, 1977; Pierrakos, 1987; Keleman, 1975; Boadella, 1985; Kurtz, 1976) têm seguido, a rota psicanalítica tradicional de procurar a causa original de queixas orgânicas e couraça de caráter na infância precoce. Certamente, não há falta de negligencia parental, brutalidade, ou abuso sexual no mundo moderno. Consequentemente, não será necessário muito tempo para os terapeutas olharem com algum favorecimento para a causa e liberação do sistema incorporado que nós descrevemos.

Mas, muitos e muitos terapeutas estão descobrindo, que existem muitas formas de queixas neuróticas de natureza emocional e física, que simplesmente recusam de serem resolvidas através da exploração de histórias infantis – não importa quão cedo nós as investigamos. Muitas crianças, o que agora esta começando a se admitir, obviamente são de nascença medrosas, deprimidas, acumuladas de raiva, incapazes de comer (isto é, morrer de fome), dessensibilizadas, etc. É exato nesses casos que a exploração de vida passada está se mostrando particularmente efetiva, agora que nós estamos livres para muitas questões que a doutrina Freudiana e a tabula rasa sobre o desenvolvimento, condenaram por muito tempo

Resíduos Físicos de Vidas Passadas

Deixe-me referir a um caso que mencionei brevemente no meu recente livro (Woolger, 1987). Uma jovem mulher, que irei chamar de Heather, sofria desde sua adolescência de colite ulcerativa. Naturalmente, todos os tipos de dieta terapêutica foram tentados e nos anos mais recentes, psicoterapia. Seu psicoterapeuta, o qual a referendou a mim, admitiu que não poderia achar a causa da ansiedade, por conta da úlcera de Heather, que estava presente nesta vida, a despeito de muitos meses de investigação. Então nós concordamos em tentar uma sessão de vida passada.

A história que imediatamente veio à tona nos levou para a Holanda durante a Segunda Grande Guerra no tempo da invasão Nazista. Heather se encontrou como uma garota de oito anos, numa família Judia, nascida numa cidade Holandesa. Na primeira cena que veio a tona viu a si mesma ajudando alegremente sua mãe a bater o pão quando sons da primeira explosão vieram-lhe aos ouvidos. Os Nazistas estavam, sistematicamente, explodindo e colocando fogo nas varandas das casas para "espantar" os habitantes para as ruas. A mãe, em pânico, empurrou as crianças para a rua, dizendo a elas para correrem. As ruas estavam cheias de moradores do local, correndo para todas as direções. Havia carros blindados e jipes perseguindo-os e o som de armas de fogo.

A pequena garota correu para o campo, pensando que estaria segura e esperando a hora de voltar para a estrada, vendo alguns vizinhos e amigos serem atingidos, mas a maior parte sendo circundados pelos Nazistas. Escapando mais distante da fumaça e dos explosivos, ela dobrou uma esquina e correu para quase perto de uma perua comandada pelos soldados. Eles a cataram e empurraram para dentro da traseira da perua com outros capturados.

Rapidamente, ela e os outros foram rebanhados e alinhados de fronte de uma vala que tinha sido cavada, para reunir as lápides. De pé, olhando as fileiras de pessoas sendo mortas por tiros ela esperou a sua vez, ela reportou que seu estômago estava totalmente cheio de nós no terror.

Finalmente ela foi atingida, caiu de costas e foi empurrada, por cima da pilha de mortos e vítimas moribundas. Ela não morreu imediatamente; outros corpos ficaram acima dela e ela finalmente morreu por sufocamento e perda de sangue. Seu estômago contorcia em nós de terror, nesta assustadora provação.

Minha abordagem durante a sessão, foi direcioná-la para respirar profundamente e deixar ir todo o medo e angustia, tanto quanto fosse possível. Dando esta permissão ela entrou em crises convulsivas, tremores e ansiedades. Como a jovem garota, ela não conseguia expressar: ela teve a morte, o terrível choque da perda de seus parentes, a visão de todo o massacre e encarou sua morte prematura. Frases como: "Eu jamais os verei de novo"; "Ajudem-me", "Eu não posso ir embora", "É muito tarde", vieram a tona espontaneamente e seu corpo atravessou violenta convulsão e vomitou por um tempo.

Quando tudo acabou Heather estava exausta e esgotada, assim ela sentiu-se descarregada do medo que ela tinha sempre sentido ofuscado e o qual ela agora entendia. Seu condicionamento do estômago melhorou radicalmente depois desta e outras sessões de seguimento.

Em muitos casos, nós apenas substituímos nosso foco da suposição de traumas na infância nesta vida e damos uma permissão para o inconsciente aprofundar para expressar ele mesmo. Nós encontramos que os sintomas presentes parecem derivar de memórias de vidas passadas. Não existia nenhum evento de experiências remotas na vida corrente de Heather capazes de induzir sintomas de medo, como somatizações pesadas e úlceras; de fato sua queixa estava fora da proporção no curso relativamente tranqüilo de sua corrente vida. Contudo imediatamente a estória de vida passada da garota judia Holandesa emergiu, nós achamos as imagens traumáticas, com as quais, no conjunto, estavam em consonância com seus sintomas. No caso de Heather, como em muitos outros, eu estava pronto para concluir que o medo inconsciente, que se manifestava no seu estômago como ulcera, não era um resíduo vindo desta vida e sim de outra.

Toda parte do corpo, revelaria, numa pessoa ou noutra, algum acidente antigo ou falta de fôlego. Mas, trauma de vida passada sempre tem um aspecto e não uma genérica relação com o corrente problema físico. Nem toda enxaqueca deriva de falta de ar ou problemas de garganta, de estrangulamentos. Uma queixa similar de garganta em muitas pessoas pode carregar diferentes histórias: em uma pode ser uma morte por decapitação, em outra uma morte por asfixia, enquanto alguém mais, pode se relembrar de ser enforcado. Em diferentes pessoas uma dor no tórax ou dores na região do coração, poderá trazer traços de memórias de muitas formas de facadas, armas de sopro, lanças, flechas etc. Dor nas pernas e braços revelam terem sido quebrados em acidentes ou guerras, prensados em árvores, quebrados em torturas, crucificação ou cavaletes, ou esmagados por animais selvagens. Uma área abdominal frágil ou sensível, pode recordar cortes, talhos e destripamentos, inanições ou envenenamentos. Pés e mãos sensíveis têm em vida passada estado sujeitos a muitas formas de acidentes e mutilações, para não dizer nada de realizações horríveis de outros.

Como pode ser isto? Um espectador não familiarizado com regressão a vida passada pode perguntar, como traços de memórias e reações somáticas podem ser causadas por experiências percebidas por um diferente corpo conjuntamente?

O problema da transmissão não física

Algumas teorias tem se esforçado para responder essa questão - algumas vezes chamadas "o problema da memória extra-cerebral" – pelo recurso da herança genética. Até agora a minha própria descoberta é que de muitas centenas de casos envolvendo vidas passadas, somente um escolhido a dedo, pôde particularmente ser atribuído à genética. A imensa maioria das histórias que eu fiz recordar, não puderam de maneira nenhuma serem atribuídas a genética ou, em outras palavras, à transmissão ancestral! A discrepância cultural e descontinuidade são as partes extremas também.

Invocar a genética me golpeia como uma última trincheira, esforçando por manter o que é essencialmente uma explanação materialista para mente e memória. Isto é típico dessas teorias que podem focalizar todos os eventos mentais "no" cérebro - onde eles estão! Personalidade como um exercício me joga como sobre o usual, como procurar pela musica nas ranhuras de um disco.

O ponto de resistência que meu próprio trabalho me obrigou a ter é mais expressado pelo bem vindo ditado Budista, "tudo o que somos é o resultado do que nós temos pensado"(Drammapadma). Desta radical posição de consciência que determina a realidade da matéria; e consequentemente o estado de nosso corpo, não importa que essas determinadas consciências, como materialistas contemporâneos ortodoxos, a terão.

Eu propus recentemente ( Woolger, 1987) que falássemos sobre herança psicológica , como contendo "complexos de vida passada", em extensão a descrição de complexo de Jung ( Jung, 1934), desde que isto é agora abundantemente claro que a psique, o emocional, e as impressões físicas são transmitidos para vidas futuras e não só em um tempo de vida..

Ainda indiferentemente do que nós os chamamos, como exatamente os complexos são transmitidos das vidas passadas? Existe algum substrato psíquico ou veículo para essas transmissões, de vida para vida, de corpo para corpo? A própria teoria de Jung de inconsciente coletivo, que é um repositório de resíduos de toda a história do homem, pode parecer uma proposta atrativa; ainda que, na sua formulação, ela contenha os arquétipos, que não tem memórias pessoais, somente formas impessoais.

Aqui de novo nós podemos, eu acredito, voltarmo-nos para o Oriente para teorias mais compatíveis com nossa era - as teorias que tomaram a rota de culturas que sempre estão abertas para a idéia da transmigração, não gostando o Ocidente com os seus dogmas e perseguições da igreja. A Yoga ensina, de fato oferece um sofisticado conceito de ambos: um substrato psíquico universal (o akasha) que grava e transmite, tão bem como um veículo, o corpo sutil, o qual transmite os resíduos psíquicos individuais.

Mais longe na extensão desta pequena experiência para entrar na tradicional doutrina do akasha (traduzida como psíquica ou "espaço" cósmico ou "éter"), a doutrina que vem de mais longe a imagem da "gravação akasica" popularizada pelas leituras de Edgar Cayce e Teosofia. É suficiente dizer que se nós do Ocidente faltosos na compreensão dele, o conceito de akasha poderá radicalmente alterar muitas idéias limitadas sobre maneira, transformação e cura. (1) Mais comum, da perspectiva prática da terapia de vida passada, é o conceito de corpo sutil.

(1) "A ciência Moderna com a teoria atômica admite que todo material é composto de algum primeiro material - eletricidade. Mas onde esta teoria Oriental difere da Ciência Ocidental é quando os Hindus sustentam que este primeiro material - Akasha - pode ser trocado por maneiras de pensar, não por métodos mecânicos". Idries Shah, oriental magic, pg.127.

O corpo Sutil na Teoria e Prática

Investigações científicas do campo energético acerca do corpo humano, têm sido muito limitadas hoje em dia no ocidente. Desde que a parapsicologia até agora foi desacreditada por academias de psicologia dominantes - por exemplo, a Associação Americana Psicológica tem consistentemente rejeitado a formação na Divisão de Parapsicologia - nós ainda temos muito poucas modificações. Todavia, Krippner e Rubin (1973) reportaram numa pesquisa Russa dentro do fenômeno Kirlian sobre a energia descarregada ao redor de plantas e animais, organismos e humanos no seu “Vida das galáxias”. Essas emanações de energia as quais é difícil de não descrever como auras, podem ser gravadas por um processo quase fotográfico.

Nesta coleção de escritos, Moss e Johnson reportam um pequeno conhecimento mas uma teoria revolucionária do "bioplasma", o qual os pesquisadores Soviéticos V.M. Inyushin tem caracterizado como "o quinto estado da matéria". (2). Eis aqui o seu sumário desses achados:

V.M. Inyushin... tem optado pelo termo "corpo bioplasmático" como descrito de emanações e estruturas internas de objetos fotografados, citando de algumas autoridades em bioenergética e bioeletronica como Szent-Gyorgy e Presman. Em conversa com Inyshin, Moss aprendeu que o seu conceito sobre "corpo bioplasmático" era similar, se não idêntico, ao da ‘aura’ ou ‘corpo astral’ como definido na literatura Yoga"( Krippner e Rubin, 1973.

(2) Os quatro estados da matéria são: sólido, líquido, gasoso e plasma. O estado clássico de Inyshin é seu papel "Bioplasma: o quinto estado da matéria?"(n.d.) que pode ser achado no White e Krippner, Ciência Futura (1977).

Infortunadamente o termo Russo é obviamente uma metáfora física derivada de "plasma" que tende a fazer dela uma redução do campo da psique para o físico. Esse ajuste é muito bom enquanto uma filosofia soviética ou do materialismo dialético mas muito, mais propriamente, grosseiro, para aqueles não muito confiáveis. Por outro lado, nós no ocidente somos presos no nosso mente-corpo - natural espiritual dualismo , generalizado da Teologia Cristã e subseqüente filosofia. (3) G.R.S. Meada sugeriu alternativas como a "alma" e "espírito" no seu valioso livro A doutrina do corpo sutil na tradição Ocidental (1919), mas eles não se esforçam para cercar a moderna psicologia.

(3) Eu sei somente de um trabalho vestido pelo problema do dualismo corpo-mente da filosofia ocidental em termos de corpo sutil e psicologia moderna; que é Roberta Avens, no seu excelente Corpo Imaginário: Reflexões na Alma para-Junguiana, Imaginação e Morte (1982).

O maior problema com muitos termos como "bioplama" e outros termos sempre mais gerais como "campo energético", tão distante como o conceito de psicoterapia o é, é que eles fracassam na localização precisa da interface crucial entre "energia" e sentimentos específicos e padrões de pensamentos. Possivelmente a teoria do "orgone" de Reich é a única tentativa nos dias de hoje para fazer isto. Por salientar a idéia de que, da energia emocional reprimida é também reprimida a vida , estaríamos aptos a mostrar como os padrões neuróticos fixos se moldam para a degeneração do sistema orgânico.

Certamente seguidores de Reich os quais se esforçaram para estender esta perspectiva radical e como Inyshin, tem imprimido pela semelhança com a Yoga e o fenômeno do corpo sutil, como uma percebível "aura". O método de John Pierrakos de "núcleos energéticos” (1987) trabalha com o campo da aura em psicoterapia como o fez David Tansley no seu sistema de cura chamado "radionica"(1977). O trabalho de Christopher Hills (1977) com a cura do corpo sutil poderia ser mencionado. Todas essas três pesquisas vieram dos conceitos de Yoga sobre chacras e camadas sutis de energia ao redor do corpo.

Tansley usa a abordagem de Alice Bailey da Teoria do campo energético da Yoga (1953) que eu acho particularmente valorosa. De uma forma clara define três níveis distintos de energia sutil - pensamento, sentimento e energia de vida - e mostra como eles se interpenetram. Bailey usa os termos Yogues para esses corpos sutis mas em uma abordagem padrão. Resumidamente eles são:

1. O corpo mental: Este principal campo energético é o mais sutil dos três e é o local de toda força mental contida ou pensamentos fixados. Esses pensamentos podem ser conscientes ou inconscientes e podem influenciar radicalmente, no geral, padrões de vida individuais ou a auto-imagem (ex: "Eu jamais farei isto", "Não confie em pessoas" etc.). Esses pensamentos podem ser resíduos negativos de experiências de vida passada. Eles não necessariamente afetam o corpo físico, mas se eles o fizerem, sua influencia é muito forte.

2. O corpo emocional (algumas vezes chamado de corpo astral): este campo energético está aderido muito próximo ao corpo físico, por um raio de mais ou menos 2 ou 4 polegadas, e é o local dos resíduos emocionais de eventos passados, incluindo, como o corpo mental, vida passada. Este pode ter tristeza, raiva, desapontamento, apatia etc. Este nível energético pode ser afetado fortemente por pensamentos negativos provenientes do corpo mental. Fisicamente é mais denso do que o corpo mental. Quando estes conteúdos emocionais ficam carregados de cargas, e não liberadas, ele irá afetar o poder do corpo de energia etérica adversamente.

3. O corpo etérico é exatamente o equivalente ao "corpo bioplasmático" de Inyushin ( não o corpo astral como referiram Moss e Johnson) e os sistemas do chi na Medicina Chinesa, e prana na Yoga. Ele está perto da energia orgone de Reich. O corpo etérico ou campo energético é o mais denso dos três corpos sutis e é perceptível fisicamente para muitas pessoas como calor emanado de partes do corpo. Ele irradia pelo corpo físico mais ou menos uma ou duas polegadas e é um campo trabalhado em muitas práticas curativas como a terapia do toque e cura pelas mãos.

Este campo pode ser afetado eletrolicamente pela água fria, minerais, cristais e filtros coloridos. Nele existem muitos resíduos provenientes de traumas físicos ocorridos por acidentes, cirurgias, assim como de traumas de vidas passadas. Sentimentos reprimidos do corpo emocional se alojam no nível etérico para produzir problemas orgânicos.

O princípio importante que faço vislumbrar desta grande descrição condensada é que existe uma ordem descendente de influência do topo para baixo entre esses três corpos. No caso de Heather nós observamos que os padrões adotados precocemente podem ser percebidos:

1. O Inconsciente pensa: "Eu estou em perigo" (nível mental) faz com que Heather sinta ansiedade perpetuamente (nível emocional);

2. A ansiedade perpétua de Heather (nível emocional) cria uma constante tensão na sua região abdominal (nível etérico);

3. A constante tensão no abdome de Heather (nível etérico) afeta o sistema gastrointestinal e produz úlcera.

Desde que a causa sutil desses sintomas é descendente, ele é obviamente verdadeiro (pense que existem muitas variações) que a cura siga em direção oposta, um movimento em oposição do etérico para o mental. Então, por exemplo, no caso de alguém com um trauma de vida passada associado com as pernas, nós podemos observar o seguinte padrão:

1. Mensagem física ou manipulação para alteração da energia etérica (experimentada como tremor, calor etc.) nas pernas;

2. A energia etérica escoa trazendo um incoerente sentimento de medo;

3. O sentimento de medo molda uma imagem de uma criança sendo caçada, depois perseguida por um cão em uma história de vida passada, e finalmente o pensamento, "Eu sempre estou fugindo".

Isto pode ajudar no conceito de como os três níveis de corpos sutis energéticos relacionam-se entre si, se nós falarmos por analogia como os diferentes estados da água. Quando está congelada, a água é densa, sólida e pesada de manipular sem quebrá-la ou cortá-la. Quando a água é fluída pode ser movida de um lado para o outro facilmente mas ainda existe alguma substância nela e esta pode ainda penetrar ou corroer. Quando a água está evaporada, como nuvem ou vapor, é como uma luz, mais sutil e mais penetrante.

Por analogia com a água, os conteúdos físicos do corpo sutil são mais difíceis de serem trabalhados quando "congelados" no corpo físico, como: padrões posturais, doenças orgânicas e distúrbios. Estes condicionamentos podem facilmente influenciar quando eles são mais "fluídos", experenciados como sentimentos e emoções , eles podem não ser tão amaldiçoados. Mas, quanto mais sutil eles sejam, podem possivelmente penetrar pensamentos subjacentes a esses sentimentos, os quais, uma vez identificados, podem agora ser totalmente evaporados. O trabalho com o corpo pode ser imaginado como uma forma de "fusão" de conflitos psíquicos residuais, advindos da vida passada ou vida anterior que se tornaram fixados e rígidos no corpo somático total, pertencente ao indivíduo.

Morris Netherton (1978) foi o primeiro psicoterapeuta a documentar uma série de casos onde os traumas de vida passada guardam severas doenças crônicas como úlcera, enxaqueca, epilepsia e outras. (Anteriormente, Alice Bailey, em seu livro Cura Esotérica, fez um esboço dos princípios da herança carmática de doenças sérias, como o câncer e distúrbios cardíacos, mas ela não ofereceu nenhuma sugestão para terapia). Entretanto Stanislav Groff enfatizou seu achado, durante as sessões de LSD e terapia experimental (Groff, 1985), de que nós todos carregamos maiores quantidades de imprints inconscientes, onde nós sobrevivemos de um acidente físico ou trauma desta vida.

Isto nos parece que após todas as operações, doenças, quebra de ombros, depravações, ou dores menores, deixam degraus de resíduos no corpo etérico. Fisicamente eles podem ser percebidos como pontos "frios" ou quebra de energia nos meridianos, ou ainda mais por um pobre funcionamento dos chacras. (4) Mas ao mesmo tempo, porque este campo energético é multidimensional ou holônico (5), haverá sempre presente imprints de vida passada no trauma físico, sempre diretamente sobrepondo alguma região do corpo.

Enquanto estava usando o trabalho com a respiração para ajudar uma cliente para liberar um trauma localizado na região uterina, recentemente histerectomizada, nós a achamos, surpreendentemente, em um sacrifício numa primitiva vida passada, como um jovem homem o qual tinha tido uma severa dificuldade com o seu joelho operado depois de um acidente de esqui; nós achamos não menos do que três vidas passadas traumáticas envolvendo danos no joelho em combates. De novo as impressões principais que o corpo sutil imprime no nível etérico ou bioplasmático são multiplamente determinadas ou em camadas.

Parece um pouco aparente que certas áreas do corpo serão inerentemente frágeis ou propensas a futuros acidentes, distúrbios ou malformações devido a esses imprints no corpo etérico. É uma prática proveitosa numa intervenção psicológica inicial, perguntar sobre doenças recorrentes, partes danificadas do corpo, medos físicos típicos ou fragilidades, hospitalizações, e etc. Dores crônicas de cabeça, dores nas costas, problemas de vesícula, baixa taxa de açúcar, indigestões, má visão, etc., quase sempre, associam-se a cicatrizes etéricas ou bioplasmáticas e consequentemente a resíduos de vidas passadas traumáticas naquela área do corpo.

(4) O Chakra é um termo da Yoga para o centro da energia sutil no corpo etérico. Veja Tansley ( 1977) e Pierrakos ( 1987).

(5) Veja a explanação valiosa de Groff sobre este princípio na Psicologia no seu livro "Além do cérebro"(1985). Veja também o capítulo deste presente autor: "A Psique Multidimensional" em Outras Vidas, outros Selves (Woolger, 1987),

Quando uma vida passada complexa se aloja no corpo etérico ou bioplasma, geralmente o resíduo do trauma físico, estará sempre pronto para retornar ao trauma e em alguns casos prescrever alguma forma de balanço energético - trabalho com aura, energia corrida, massagem terapia, terapia de toque, acumpressura ou reflexologia podem ser efetivos adjuntos. No caso descrito em outra edição deste jornal (Woolger, 1986), uma mulher com artrite nas suas articulações foi liberada, quando ela reviveu sendo desmembrada por uma explosão de bomba. A terapia de grupo em que este acontecimento ocorreu ajudou-a mais tarde, e efetivamente completou a cura de seus membros e limpou seu corpo etérico permanentemente.

Nem todos que carregam imprints etéricos ou bioplasmáticos, desaparecem rapidamente como neste caso. Muitos podem apresentar um número acumulado de traumas de vidas passadas com total significados cármicos que requerem muitos anos de meditação para serem abandonados. D. H. Lawrence, derrubado por uma tuberculose, reconheceu na sua doença a necessidade de "repetir a longa dificuldade por realizações erradas em vidas". Algumas vezes, como nós sabemos, o Self Maior escolheu para nós sermos aleijados, deformados ou sermos sujeitos a doenças, por termos imposto isto a outros. Aqui, nossos imprints etéricos são formas de punições - ou mais propriamente autopunições - penitencias e tem um sentido simbólico ou cármico.

Mas, quando nós estamos prontos para deixar ir a dor e sempre a velha autopunição, o corpo etérico ou bioplasmático pode começar a se limpar depois de um curto período de tempo, dependendo de vários fatores individuais. Sempre que uma estória crucial é liberada do corpo etérico ou bioplasmático, existirá uma extraordinária descarga de energia sutil na forma de tremor, vomito, formigamento, calor ou frio, vibração, e sempre a liberação de estranhos odores do corpo. Alguns movimentos de energia, chamados kriyas na Yoga e "serpentina" no trabalho Reichiano, são entendidos pela Ciência Ocidental mas são partes de um re-balanço do sistema energético sutil no nível etérico.

Quanto mais complexo e consequentemente, por ser difícil de se trabalhar, são casos onde o resíduo da vida passada no corpo emocional penetra e deforma o sistema etérico ou o bioplasma, e com isto, o corpo físico. Estes são os clientes que somatizam seus problemas emocionais, carregando-os, como eles são, em diferentes partes do corpo.

A Figura 1 é uma composição tirada de muitos casos típicos. Ela mostra como o sistema etérico/bioplasmático e físico podem ser afetados pelos complexos de vidas passadas quando essas manifestações no corpo emocional são sentidas ou profundamente filtradas por pensamentos. Os pensamentos inconscientes que dão acesso a estórias de vida passada para os complexos são mostrados fora do círculo, uma vez que pertencem mais ao corpo mental. (Perceba que pode ser enfatizado que nenhum desses complexos pertence, especificamente, a qualquer parte do corpo; um pensamento de depressão pode ser facilmente segurado nas costas assim como na cabeça.)

Para dar algum exemplo usando o diagrama:

Uma pessoa pode experienciar uma doença recorrente combinada com dor de cabeça, quando cuidadosamente entrevistada, com um sentimento geral de peso, especialmente ao redor da cabeça. Explorando esses sentimentos, podem revelar uma predominante metáfora ou imagem de "peso", com o qual, quando exagerado, pode produzir os pensamentos: "Está me oprimindo, sempre está me oprimindo".

 "Está me pesando muito; Eu não consigo parar de pensar nisto"

Sensação de peso, dor de cabeça depressão mental

CORPO EMOCIONAL

Desta maneira um pensamento pode facilmente provar ser um ponto de entrada para uma estória de vida passada repleta de culpa , como: "Eu corri do massacre e nunca retornei. Talvez eu pudesse ter ajudado meus irmãos, minha família. Eu não poderei nunca parar de pensar sobre isto. Está sempre comigo, me pesando muito."

Outra pessoa pode ter uma corrente apertada em suas pernas, com o acompanhamento de dureza nos joelhos e dificuldades para andar. Quando explorado, a tensão pode revelar que aquelas tensões de raiva estão presas nas pernas. Um simples exercício de bioenergética (Lowen, 1975), ou uma oportunidade de chutar livremente, pode revelar imagens e ser drenado o caminho para atirá-la a um calabouço e os pensamentos, "Como pode você fazer isto comigo! Você não está certo. Me deixe! ". Aqui, a raiva de certa encarnação injusta estava presa em suas pernas.

Ainda, outra pessoa pode experienciar uma extrema tensão nos tornozelos combinada com memórias atuais de quebra de seus tornozelos em diferentes ocasiões. Provavelmente pode revelar tristes pensamentos de fracassos, de não ter tentado o suficiente e vergonha de alguma coisa associada com o acidente e com a região dos tornozelos em geral. Seguindo estes pensamentos nós encontramos que aquela pessoa morreu ferida em uma batalha em uma vida passada, num velho mundo como um jovem, inexperiente soldado e que foi arrancado, ignominiosamente perfurado através de seus tornozelos, pouco depois ele morre.

Além disso, exemplos podem ser reconstituídos do diagrama e podem ser notados que as diferentes figuras de sentimentos como pertencentes a partes específicas do corpo não são significativamente fixadas. Nosso soldado na vida passada poderia muito bem ter morrido de um soco na cabeça ou peito deixando seus tornozelos intocáveis, neste caso sua tristeza e sentimento de fracasso estariam fixados em uma ou em ambas as regiões. Toda história, tão bem quanto gostaríamos, é muito específica e precisa de ser tratada como tal. Também, desde que áreas aflitivas do corpo etérico ou bioplasmático são multiplamente determinadas no nível de vidas passadas podem existir histórias diversas, cada uma com diferentes emoções suspeitas, para serem descobertas. Em adição, pode haver sobreposições com o trauma do nascimento desta vida e com acidentes ou doenças provindas da infância, que parecem abarcar certos padrões de sentimentos os quais caracterizam o escape como a complexa vida passada (veja também Woolger, 1987).


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