ASPECTOS DO TRABALHO CORPORAL DE VIDA PASSADA

ENTENDENDO O CAMPO SUTIL DE ENERGIA

 

PARTE II.: ASPECTOS PRÁTICOS

Roger Woolger, M.Ph.

Dentro do corpo denso, com a dissolução do sofrimento depois da morte, tudo vai sendo processado para dentro do corpo sutil, que é formado de faculdades perceptivas, sopro vital e órgãos íntimos . Este é o corpo que vai e vem, de nascimento para  nascimento como a base e veículo da personalidade reencarnada. Ele afasta-se da linha do corpo denso na hora da morte, e depois determina a natureza da nova existência. Para interiormente serem deixados os traços - como cicatrizes ou sulcos - todas as percepções, atos, vontades e movimentos de decisões do passado, todas as propensões e tendências, a herança de hábitos e inclinações, e a peculiar prontidão para reatar o seu caminho ou , ou para não  reatar tudo.

Heinrich Zimmer - Filosofias da Índia (p.324)

Na parte anterior deste artigo ( Woolger, 1987 a), quando discuti os aspectos teóricos do trabalho corporal na terapia de Vida passada, notei como os três corpos sutis ou campos energéticos afetam um ao outro. Usando esta perspectiva é sempre muito simples de ver como o pensamento (do campo mental) pode influenciar os sentimentos (no campo emocional). "Eu sou um fracassado", por exemplo, pode facilmente gerar alguns estágios de começo de depressão na pessoa. Além do mais, nós vimos como sentimentos podem exercer uma influencia negativa sobre a energia ou vitalidade do sistema (pela depressão do campo etérico). Desta maneira a pessoa pode literalmente experienciar baixa de energia, a qual pode manifestar-se fisicamente por pouco apetite, respiração superficial ou constrita, dores no coração, ou outras formas de esgotamentos.

Esses princípios tem, de uma forma ou de outra, sido estudados por muito tempo no trabalho psicoterápico corporal por certas escolas, especialmente aquelas associadas com a técnica de  Biofeedback (quem sabe inspirada pela Yoga) e influenciadas por Wilhelm Reich. Desde a perspectiva psicológica de Reich - antes era basicamente Freudiana - quando surgiu a pesquisa da origem dos pensamentos negativos ou de traumas emocionais, seus seguidores assumem usualmente que o lugar óbvio para se olhar é para a infância. Mas como agora nós sabemos por copiosos relatórios de sessões de vida passada, o trauma ou pensamento negativo ou atitudes pode ser enraizado em uma vida anterior . A Doutrina Yoga Indiana (veja o raciocínio citado por Zimmer) tem sempre assegurado que as disposições físicas e psicológicas para a negatividade, para repetir o trauma, e os padrões emocionais são passados de uma vida para outra, via uma entidade chamada corpo sutil.

A perspectiva da vida passada, como mais e mais terapeutas estão constatando realmente, sempre pode abrir novas frentes onde a terapia convencional - com a qual somente há a probabilidade de acessar as experiências precoces nesta vida - pode penetrar no fim da morte. Casos envolvendo vida passada podem ser complexos, mas o inter-relacionamento dos três níveis - o mental, o emocional e o etérico - pode mostrar como operar uniformemente atravessando várias vidas. Em outras palavras, princípios Reichianos podem ser aplicados em histórias de vidas passadas tão efetivamente, e algumas vezes mais do que isto, como elas podem ser aplicadas na vida atual lançando mão da terapia.

Para dar um pequeno exemplo:

Uma mulher de meia idade, a qual eu chamarei de Verônica, vinha sofrendo desde sua adolescência de uma severa sinusite. Ela tinha feito todas as formas de tratamentos medicamentosos, os quais se mostram ineficientes. A psicoterapia convencional revelou uma conexão entre o início de sua sinusite crônica e a percepção de um resíduo de solidão e suave depressão, mas, falhando em achar qualquer perda ou emoção óbvia de revolta ao redor de sua adolescência, basicamente fracassou em mudar sua condição.

Durante um fim de semana de trabalho com terapia de vida passada, Verônica teve a seguinte experiência. Ela se encontrou revivendo uma vida passada como um jovem homem Inglês, que tinha crescido num orfanato e que foi inscrito nas forças armadas no fim da Grande Guerra Mundial em 1924. Assim como muitos recrutas inexperientes, sua experiência em combate foi curta e trágica. Ele morreu semanas depois de chegar as trincheiras provindo de um ataque de gás de mostarda em sua unidade particular.

TERAPÊUTICAS NO TRABALHO CORPORAL NA VIDA PASSADA

Trabalhando com clientes que apresentem queixas somáticas ou que tenham histórias de doenças recorrentes ou acidentes, eu cheguei a um pequeno número de regras para utilizar:

1. Quando ao ouvir a história relatada por seu cliente, sempre tenha a certeza de que ele lhe contou toda suas doenças físicas, acidentes ou sintomas  (surdez, necessidade de óculos, pressão alta etc). Depois de tudo anotado, pergunte por alguma transformação emocional ocorrida um pouco antes, ou em torno desses períodos de vida.

2. Quando o cliente está descrevendo um problema particular no presente ou sintoma, peça a ele para descrever o que está sentindo no seu corpo enquanto fala com você.

3. Durante a regressão atual assegurar-se que a pessoa reporta tudo da história de dentro do seu corpo, não de algum ponto de referencia fora do corpo.

4. Durante a sessão anote todos os movimentos físicos, tremores, contorções, respirações apressadas etc., especialmente quando um trauma está sendo revivido mas pouca emoção está sendo liberada.

5. Encoraje aquelas partes do corpo que estão reagindo com a história (como no 3) para expressar por elas mesmas, fisicamente, em palavras ou ambas, por exemplo; com o estiramento das pernas, diga "Chute! Bom! Agora deixe as suas pernas falarem. O que elas querem dizer?". E o cliente após os chutes: "Me deixe, seu porco!" chutando a figura brutalizante imaginária da história da vida passada.

6. Quando é uma dor específica ou um problema orgânico, deixe o cliente focar na dor ou na área aflitiva, pensando conscientemente diretamente dentro do centro e permita emergirem imagens e sentimentos espontaneamente. Ajuda usar frases guias como: "Com o que esta dor se parece? É profunda ou superficial? Ela vem de dentro ou de fora de seu corpo? O que pode estar causando isto? O que o seu corpo sente com isto?"

A última técnica, de falar conscientemente dentro da dor ou área aflitiva, é uma boa aplicação da pratica Budista de Meditação de Stevem Levine e pode ser extremamente valiosa quando utilizada em  aconselhamentos individuais para doentes terminais ( Levine, 1984).

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