Nascimento é apenas um adormecimento e um esquecimento

por: Roger Woolger
Tradução: Sandra Mattos

Roger Woolger é um psicoterapeuta junguiano que tem estado trabalhando com Terapia de Regressão por muitos anos. Terapia de Regressão é um dos meios de facilitar o paciente a trazer à tona memórias que, normalmente, permanecem enterradas na mente inconsciente mas estão afetando seu comportamento consciente e circunstâncias de sua vida. Essas memórias, podem ser da primeira infância, do processo de nascimento ou, ainda, das experiências no espaço de tempo dentro do ventre materno ou, igualmente, de eventos de experiências anteriores. Aqui Roger Woolger expõe sua crença que experiências traumáticas no útero e durante o processo de nascimento, não são nem erros dos pais nem resultados de coincidências, mas espelham eventos traumáticos de experiências de vidas passadas.

Memória Fetal

Antes de tudo, eu vou resumir o que tenho sido encontrando no campo da Terapia de Regressão perinatal. Primeiramente e muito importante, tem sido constatado que o feto dentro da mãe, simplesmente, é um gravador e absorve todos os pensamentos e sentimentos da mãe antes de tudo e, algumas vezes, os pensamentos e sentimentos do pai, se ele é muito chegado para a mãe ou se há alguma coisa dramática ou emocional em andamento, com os pais, durante a gravidez.

O feto não tem ego. Ele não tem "self" consciente ou o que você pode chamar de consciência descriminadora. Nesse sentido, o feto não pode discriminar se o que ele ouve sem querer pertence a aquilo ou ele ou ela ou de fato pertence à mãe ou pai. Como uma criança ao nascer nós apanhamos os "scripts" e referências, preocupações e traumas de nossos pais. E virtualmente qualquer coisa que acontece da concepção em diante, parece estar registrado em algum nível de memória fetal em uma camada da mente inconsciente.

A culpa não para com a mãe

Há muitos meios bem sucedidos para liberar esses traumas da criança, eu retornarei à eles depois. Mas o que choca-me é que nós temos ouvido por anos que todos nossos problemas vêm de nossa infância e de pais ruins e mais uma vez, voltamos para o bode expiatório universal - a mãe - Meu Deus ! Mas eu quero sugerir que de fato a culpa não para com a mãe; que de fato mães ambivalentes (mães que acreditam que elas querem suas crianças mas, lá no fundo, não querem) atraem para elas almas ambivalentes que não sabem ainda se elas querem nascer ou não. Mães felizes, mães ideais, atraem para elas almas felizes as quais estão vindo para o lugar certo; mães completamente catastróficas (mães que rejeitam suas crianças ao nascerem e podem tentar abortá-las e podem, também, terem uma grande quantidade de violência em seus relacionamentos) atraem para elas almas muito infelizes as quais carregam imensa quantidade de violência e dor de memórias de vidas passadas que as mães meramente espelham de volta para eles no útero. Essa é minha posição. Chequei diretamente a essa radical posição de que de fato nenhum desses scripts no útero precedem da mãe. Eles foram todos adquiridos em vidas passadas e a mãe é simplesmente um local onde eles são acionados ou reestimulados.

Como crianças nós somos todos concebidos com disposição psíquica pré-existente, que os hindus chamam de "Samskaras", que já estão inscritos na mente inconsciente. Esses resíduos cármicos latentes no inconsciente são simplesmente reativos durante a gravidez e nascimento por determinados pensamentos, sentimentos e eventos das experiências maternas, acrescidos por todo o conjunto de caracteres - paternos, médicos, enfermeiras e assim por diante - quem estiver envolvido com a criança durante esse período de tempo. Pessoas como Thomaz Verney e Janov vêem padrões intra-uterinos como uma poderosa primeira causa da neurose. Em TR observa-se, por exemplo, uma criança a qual os pais noivos bêbados brigam durante a gravidez muito provavelmente tem na vida passada padrão de problemas com violência e possivelmente viciados em álcool ou droga. O menino cuja mãe preocupa-se permanentemente em ter uma menina durante a gravidez, terá problemas acerca de sua identidade sexual.

O período de gestação da concepção ao nascimento pode ser chamado um dos mais importantes períodos no total do plano de formação da personalidade. Não somente é a consciência fetal um observador sem críticas e um gravador de tudo o que a mãe pensa e faz, mas está também empenhado num tipo de profunda ruminação sobre negócios inacabados de vidas passadas. Então eu vejo na fase uterina uma caminhada na evolução da alma como um lugar intermediário - que os Tibetanos chamaram de "Bardo". Ele está entre vidas. Não é um lugar onde os padrões estão estabelecidos. É um lugar onde os padrões são conduzidos, se você gosta, no inconsciente profundo, repetidas vezes e são estimulados por comportamento maternos. E há um profundo sincronismo conectado porque uma alma em particular vem estar com uma mãe em particular.

Assim, há dois cursos de consciência, portanto, o curso da vida passada e o curso no útero, mas eles não estão mediados por nenhum tipo de ego descriminador e esses dois cursos, quando fundem-se, formam a matriz da personalidade mais tarde emergida.

O ciclo da vida e morte

No diagrama abaixo é uma figura, na qual eu tenho trabalhado, derivado do "Livro Tibetano da Morte", sobre como exatamente isto é no útero nós conseguimos reviver essas estórias. Quando a alma aproxima-se do momento de morrer, os últimos momentos de vida, aqueles últimos momentos podem não ser pacíficos ou eles podem ser violentos. Se eles são violentos então há impressões ou padrões que são deixados e nós o conseguimos formulados na morte no que é chamado de energia do corpo ou do corpo sutil - uma espécie de depositário não físico ou entidade que carrega aquelas impressões - das palavras finais: "Eu estou muito só ", "Não é o bastante" , "Isso é por minha causa" , "Eu mereço morrer " ou "Eu fiz bem", "Eu fui forte", "Eu fiquei com meu povo". Se as palavras finais são forte ou fraca, elas estão imprimidas e serão as maiores forças magnéticas que são carregadas e imprimidas nas vidas futuras.

Entretanto, a experiência de morte muitas vezes deixa uma grande impressão e muito freqüentemente a própria morte é extremamente como o momento do nascimento. Como nós morremos em uma vida será espelhado e recriado na experiência de nascer de outra vida. Então nós vamos através desse momento deixando o corpo e depois o consciente de um jeito que muitas e muitas pessoas tem agora relatado, experiências próprias de flutuarem sobre o fora do corpo. O ponto tracejado no diagrama é ser desincorporado e nesse período - chamado pelos Tibetanos de "Bardo"ou estado intermediário - a alma sem corpo recorda-se dos eventos da vida, das alegrias, mas particularmente os padecimentos e as "coisas" inacabadas de outra vida. Algumas vezes o pensamento de morte é tão forte nesse estágio - se você morrer vingativamente - "Eu conseguirei vingar-me de todos os quais mataram-me" - você pula muito rapidamente, você vai em torno exatamente daquilo e você está de volta num corpo outra vez - isso é como é recordado. Não há tempo para reflexão no estado pós-morte.

Quando a morte não é tão urgente ou violenta então há um período de reflexão. Ele pode continuar indo como os Tibetanos tem medido-o - ele vai indo por mais ou menos alguns 40 dias. Toda semana, todo sete dias você repete as circunstâncias de seu nascer, eles dizem. Eu não tenho permanecido com alguém por um período suficientemente longo numa memória de vida passada para estabelecer se isto é verdade ou não.

Agora em raros momentos onde uma pessoa morre muito consciente e muito pacífica, e isto é imensamente desejado e particularmente se uma pessoa tem uma prática mediativa, então nesse momento, por um segundo, há uma visão de "uma luz pura no vácuo" como algumas vezes tem sido traduzido - a realidade primordial. Se uma pessoa pode ficar consciente com aquele visão, é dito que uma pessoa transcende o carma e pega o grande caminho vertical para a iluminação. Naturalmente muitas poucas almas fazem isto, e ninguém em minha prática constante, lembra isto ou eles não estariam em meu consultório. Mas isto é o que o livro Tibetano fala-nos é possível e porque é necessário meditar e preparar para a morte conscientemente idealmente.

Muitos de nós falhamos nessa experiência e vamos para o período de pós-morte e então, de qualquer nível que nós obtemos qualquer reino que nós entramos - e alguns de nós encontramos figuras angelicais, alguns deuses, guias e espíritos, cedo ou tarde, negócios inacabados, o Samskaras de vidas passadas, trazem-nos de volta para baixo outra vez. Eu chamo isso "gravidade cármica" e nós sentimos nós mesmos, sendo puxados para baixo, e nós começamos a ver um casal de seres humanos fazendo amor embaixo, que são os pais para quem nós somos trazidos pelo fenômeno de ressonância cármica. Esses pode ser os pais que nós tivemos antes. Eles podem ser filhos de nossas vidas passadas. Eles pode ser ninguém que nós encontramos antes, mas têm temas ou alguma coisa que nós temos para aprender com eles. Isto é o que eu tenho encontrado.

Como o carma é imprimido no inconsciente

Portanto nós agora entramos no corpo. E nessa altura começamos a assimilar o inconsciente da mãe. Nesse período no útero, misturado com o inconsciente materno, nós conseguimos todo o escoamento inacabado de vidas passadas de acontecimentos que estão mais perto da superfície inconsciente, nessa específica vida. Então assim que nos aproximamos daquele túnel - como Stanislav Grof diz-nos - através do qual nós nasceremos, nós tenderemos recordar, dependendo do como agonizante ou difícil nascer é, as mais difíceis experiências de morte de vida passada. Por exemplo, o cordão envolvido em volta do pescoço pode ressoar com memórias de enforcamento; nascimento extremamente difíceis onde há uma dificuldade em respirar são recordações ou acionam velhos Samskaras de vida passada de sufocamento ou afogamento e assim por diante. Quando há hemorragia ou muito sangue envolvido num nascimento, memórias de morte sangrenta e sangramento podem ser reativadas. Onde há cesariana, isto disparará memórias de ter sido sacrificado ou ter sido morto com facadas. Nascimento defeituoso, como sendo arrancado, recordará vidas muitas vezes de estar sendo puxado, arrastado, arrancado, destruído, desmembrado.

Essas existências são extremamente dolorosas para recordar durante a terapia de regressão., naturalmente, e quando elas são recordadas, muita liberação física acontece, quando o corpo lembra a energia travada dentro do corpo que estava imprimida no nascimento, pode ser liberada. O que eu encontrei quando estava recordando meu próprio nascimento e indo através da minha primeira regressão durante o renascimento era que eu ficava pulando de memória do nascimento de volta para a morte. Eu continuei indo para trás e para frente entre esses dois lugares - os últimos momentos numa das minhas mais difíceis vidas passadas e a primeira ou os últimos momentos do nascimento. Eles foram exatamente sobrepostas.

E como nos sabemos muitas pessoas próximas da experiência de morte relatam estarem indo através de um túnel. O túnel da morte espelha exatamente o túnel do nascimento, isto me parece. Mas porque a pressão de nascimento é extrema, indo através do canal de nascimento e há bastante "angústia do feto" neste momento, a recordação de angústia dispara muito poderosas recordações correspondentes de vida passada. Alguns dos mais difíceis nascimentos, não poder sair, dores de parto, trabalho prolongado, etc., recordarão mortes quando nós ficamos presos no prédio em chamas, experiências de afogamento, avalanches, colapsos, minas e por aí. Então o comprimento e duração e a dificuldade dores de parto será exatamente espelhado ou acionará uma memória de vidas passadas.

Então, este é o meu modelo de como traumas de nascimento repetem e reanimam velhos traumas de vidas passadas que então, naturalmente, tem de ser liberados do seu próprio modo.

Liberando memórias traumáticas e resolvendo carma

Como eu não posso explicar todos os caminhos pelos quais nós trabalhamos em vida passada e Terapia de Regressão para liberar aquelas energias, um dos mais importantes é simplesmente a consciência, a conscientização de que há um significado no nosso nascimento e nossos atuais problemas.

Um outro meio para resolver esses traumas é simplesmente ficar ciente - olhando para a estória e sabendo que elas estão acabadas, sabendo que a vida passada está acabada e nós não temos que repetir aquele trauma outra vez.

As vezes trabalho corporal é necessário para liberar dores no pescoço, nas costas as quais são na realidade condições herdadas pelo corpo sutil de vidas passadas e temos tido enorme sucesso trabalhando com pélvis congelada, pescoços duros, dores nas costas, algumas vezes, até problemas do coração. O que o corpo está carregando hoje são impressões de choques de mortes anteriores que estão muitas e muitas vezes escoando através do canal do nascimento. Respiração é extremamente importante - respirando e soltando, isto está acabado, isto não é hoje, isto não está acontecendo agora. Mas provavelmente uma das mais bonitas e importante coisa é evocar o self superior e evocar memórias de como nós éramos nos níveis mais elevados da nossa jornada quando nós estávamos perto do ser mais alto e a iluminação. E algumas vezes, sem serem solicitadas, figuras arquetípicas, figuras espirituais aparecem para ajudar transformar esses resíduos e liberar energia sutil em todo campo.

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